Publicado em 24 de Março de 2016

Prefeito consegue que “Aedes do bem” ajude a combater a dengue na cidade

Prefeito Edison, acompanhado da secretária de Saúde, do vereador Arnaldo Maranhão, esteve em Piracicaba e Campinas nesta quarta e quinta-feira para fazer contato com laboratório que produz tais mosquitos geneticamente modificados. Numa fase inicial intenção é implantar insetos em bairros com maior incidência da doença.
O prefeito Edison Kersten foi a Piracicaba e Campinas, no Estado de São Paulo, nesta quarta e quinta-feira para acertar detalhes para que sejam implantados em Paranaguá mosquitos Aedes Aegypti geneticamente modificados. Estudos comprovam que em locais com tais insetos o número de casos de dengue reduziram em 90%.

Os insetos machos (também conhecidos como “Aedes do bem”) são produzidos em laboratório e quando implantados numa área cruzam com fêmeas selvagens, que postam larvas que não chegam à fase adulta. Ou seja, elas morrem antes de se tornarem mosquitos alados, que acabam contaminando pessoas e transmitindo também doenças como Zika e Chikungunya.

O prefeito Edison visitou o laboratório da empresa Oxitec do Brasil, em Campinas, e foi atendido pelo diretor Cláudio Fernandes. Ele estava acompanhado da secretária municipal de Saúde, Sandra Luzia Machado, do vereador Arnaldo Maranhão, representando a Câmara Municipal, da médica infectologista do Estado do Paraná, Amanda Flenik Kersten, e dos membros da Sala de Situação, Caio Fernandes e Elen Soares (superintendente da Vigilância em Saúde).

Nesta quinta-feira foi realizada reunião com membros da empresa para discutir a questão de contratação (por inexigibilidade de licitação, pelo fato ser a única empresa que produz tal mosquito no Brasil). “Essa modalidade de contratação agiliza o processo . Repassamos nosso histórico e baseado nisso ficou definido que vamos priorizar bairros com maior número de casos, neste primeiro momento, atendendo uma área de 30 mil moradores”, explicou o prefeito Edison, que espera que a primeira implantação de mosquitos ocorra num prazo de 3 meses. O custo será de R$ 100 mil mensais, para um contrato de 2 anos.

A intenção do prefeito é tentar viabilizar recursos junto aos governos federal e estadual para pagar o montante e aumentar a cobertura, beneficiando assim uma parcela maior da população. “Estamos aguardando reunião com a Secretaria de Estado da Saúde para acertar uma apresentação da empresa para que sejam firmadas parcerias com outras cidades, como Foz do Iguaçu e Londrina, por exemplo, que também estão com alto número de casos de dengue, como em Paranaguá”, explicou o prefeito.

O prefeito Edison também vai tentar viabilizar a instalação de uma fábrica-laboratório do “Aedes do bem” em Paranaguá, para produção do mosquito na própria cidade, abastecendo assim outros municípios do Paraná e de estados vizinhos, pelo fato de ser pioneira.

O grupo também conheceu métodos de combate à dengue utilizados por Piracicaba e foi atendido pelo secretário municipal de Saúde, Pedro Mello. Recentemente um bairro da cidade, com população de 5 mil pessoas, recebeu os “Aedes do bem” e verificou-se redução de 90% no número de casos num curto prazo. O município já elevou para 60 mil a parcela da população que será beneficiada com a técnica.

O vereador Arnaldo Maranhão disse que como cidadão está esperançoso num combate mais efetivo ao Aedes Aegytpi. “Vim de lá (de Piracicaba) muito feliz. É um projeto muito sério o do 'Aedes do bem' e vimos que os resultados são altamente positivos. A empresa tem muita credibilidade e usa tecnologia de ponta, fazendo um trabalho extremamente sério”, atestou o parlamentar.

PREVENÇÃO TEM QUE CONTINUAR

Mesmo buscando medidas mais eficazes de combate ao Aedes Aegytpi o prefeito Edison alertou que é preciso continuar vigilante quanto aos focos do mosquito e destinação de lixo. “A prevenção tem que continuar. Temos mais de 3.000 casos notificados oficialmente de dengue e, infelizmente, já registramos 16 mortes. Essa realidade tem que mudar e para isso é importante não relaxarmos e verificarmos diariamente em nossos quintais se não há água parada. Temos que virar esse jogo, porque agora o único que está ganhando nesta história é o mosquito”, declarou o prefeito.

MAIS SOBRE O “AEDES DO BEM”

A tecnologia utilizada pela Oxitec, que é de origem inglesa, funciona da seguinte maneira: no laboratório, ovos do Aedes Aegypti recebem uma microinjeção de DNA com dois genes, um para produzir uma proteína que impede descendentes do mosquito de chegarem à fase adulta na natureza, chamado de tTA, e outro para identificá-los sob uma luz específica.

Só os machos são liberados na natureza. Eles procriam com as fêmeas selvagens – responsáveis pela incubação e transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e zika. Elas vão gerar descendentes que morrem antes de chegarem à vida adulta, reduzindo a população total.

Os machos liberados na natureza só conseguem sobreviver até a vida adulta e procriar porque recebem, dentro do laboratório, um antibiótico chamado tetraciclina. Como essa substância não existe na natureza, seus descendentes morrerão.


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Jornalista: Osvaldo Capetta

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