Treinamento e autonomia da enfermagem transformam o atendimento na Saúde da Família em Paranaguá

A iniciativa representa um avanço importante na qualificação do serviço público de saúde

Com foco no fortalecimento das práticas assistenciais e na ampliação do acesso da população aos serviços de saúde, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) realizou, no dia 13 de janeiro, o Treinamento de Prescrição de Enfermagem. A capacitação foi voltada aos enfermeiros da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e já apresenta impactos positivos no atendimento à comunidade, refletidos na maior agilidade dos serviços e na satisfação dos pacientes.

O treinamento aconteceu no auditório da Semsa e foi ministrado pela médica Dra. Olivia Vilarinho, coordenadora médica da secretaria, e pelo farmacêutico Murilo Cereda. A formação teve como foco o cumprimento dos protocolos vigentes, a segurança técnica e a qualificação da tomada de decisão clínica na prescrição de medicamentos.

Segundo a enfermeira Silvani Santos Moreira, a capacitação vai além do simples ato de prescrever. “Temos que conhecer reações e interações medicamentosas para prescrever com segurança”, destacou.

Qualidade técnica e segurança do paciente

Para a Dra. Olivia Vilarinho, a iniciativa representa um avanço importante na qualificação do serviço público de saúde. “Considero o treinamento altamente relevante do ponto de vista técnico-assistencial. A capacitação contribui para a padronização das condutas, qualifica a tomada de decisão clínica e fortalece a segurança do paciente, ampliando a resolutividade da rede”, afirmou.

A coordenadora também ressaltou que a elaboração do protocolo e a iniciativa do treinamento foram lideradas pelo diretor médico da Semsa, Jorge Woll, reforçando o compromisso da gestão com a modernização e a eficiência do atendimento na Atenção Primária.

Menos burocracia, mais acesso à saúde

A autonomia dos enfermeiros para prescrever medicamentos da farmácia municipal — especialmente para pacientes hipertensos, diabéticos, gestantes e para tratamentos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) — tem sido considerada um divisor de águas nas unidades de saúde.

“Agora conseguimos atender o paciente e prescrever a medicação, garantindo que ele não fique sem assistência, mesmo quando outros profissionais estão em férias”, relatam profissionais da rede.

A mudança também impacta diretamente o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Gabi, ACS que atua em uma área de alta complexidade, destaca a redução de gargalos históricos. “Às vezes a agenda da médica está para o mês seguinte e o paciente precisa da medicação imediatamente. Isso facilita a renovação da receita e evita a interrupção do tratamento”, explicou.

Impacto direto na vida do cidadão

Na comunidade, a medida é bem recebida. A gestante Jéssica dos Santos Reinehr, moradora do bairro Parque São João, afirma preferir o atendimento realizado pela enfermagem. “Eu me sinto mais à vontade e confio totalmente”, disse.

Para quem cuida de idosos ou pacientes com doenças graves, a agilidade no atendimento faz toda a diferença. É o caso de Claudete Ziemba Bueno, moradora do Labra, que cuida da sogra de 86 anos e do pai, paciente oncológico. “Facilita muito, porque não dá para levar idoso para baixo e para cima. Às vezes o médico não tem encaixe, e ir para a UPA é complicado por causa da demora”, relatou.

Trabalho em equipe

Apesar da ampliação da autonomia da enfermagem, a Semsa reforça que o modelo adotado é baseado no trabalho compartilhado. Enfermeiros e médicos atuam de forma integrada, com o objetivo de otimizar o fluxo nas unidades de saúde e garantir um atendimento cada vez mais humanizado, eficiente e resolutivo na Atenção Primária.

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