Prefeitura de Paranaguá lança projeto inédito para mapear vulnerabilidades sociais e ampliar acesso a direitos

SUASGeo utiliza georreferenciamento para identificar famílias em situação de vulnerabilidade e fortalecer políticas públicas no município.

A Prefeitura de Paranaguá iniciou um projeto inédito de mapeamento detalhado das famílias atendidas pela política de Assistência Social - incluindo aquelas que ainda não acessam os serviços e benefícios disponíveis no município. A iniciativa, chamada SUASGeo, utiliza ferramentas de georreferenciamento para identificar, território por território, as principais vulnerabilidades sociais e ambientais da cidade, qualificando o planejamento e a execução das políticas públicas.

Na prática, o SUASGeo funciona como um grande diagnóstico social do município, executado pela Secretaria Municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial (Semdir). A proposta é cruzar informações do Cadastro Único com dados coletados em campo, permitindo que a gestão pública conheça com mais precisão quem são as famílias atendidas, onde vivem e quais são suas principais necessidades.

Segundo a diretora de Planejamento e Gestão do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), Joice Figueiredo, o projeto fortalece a Vigilância Socioassistencial, área estratégica responsável por produzir, analisar e sistematizar informações sobre vulnerabilidades, riscos e violações de direitos que afetam indivíduos e famílias no município. “É a Vigilância que mapeia o território e subsidia o planejamento das ações, garantindo que serviços e benefícios, como os ofertados pelos CRAS e CREAS, atendam de forma mais eficiente às demandas locais. O SUASGeo nasce justamente como um aprimoramento desse trabalho”, explica.

A iniciativa foi aprovada pelo Conselho Municipal de Assistência Social e conta com uma articulação ampla entre diferentes setores da Administração Municipal. Participam do projeto equipes das áreas de Tecnologia da Informação, Urbanismo, gestão do Cadastro Único e Programa Bolsa Família, além de servidores das secretarias envolvidas.

Ação integrada leva CadÚnico e CRAS às comunidades durante as visitas de campo

Um dos diferenciais do SUASGeo é a atuação integrada em campo. Enquanto a equipe realiza o georreferenciamento das residências, profissionais dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e do Cadastro Único acompanham as visitas para atualizar cadastros e incluir famílias que ainda não acessam benefícios sociais. Ou seja, além de mapear, o projeto já atua diretamente na ampliação do acesso a direitos.

O trabalho de campo será realizado de forma gradual e deve se estender ao longo de 2026 e 2027, abrangendo toda a área urbana, rural e, especialmente, comunidades ribeirinhas e ilhas. A partir de fevereiro, as equipes iniciam um calendário específico de visitas às comunidades ribeirinhas. “Nós estamos falando de um verdadeiro raio-x da população atendida pela Assistência Social. Vamos mapear família por família, geolocalizando essas informações para entender as diferentes vulnerabilidades que se apresentam em cada região”, detalha Joice.

Todo o levantamento será organizado em sistemas digitais, permitindo a visualização dos dados em mapas e indicadores sociais. A base inicial das informações é o Cadastro Único e os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que possibilitam recortes específicos, como famílias chefiadas por mulheres, beneficiários do Bolsa Família, população idosa, ribeirinha, quilombola e povos indígenas. “Partimos de uma base que já aponta prioridades e, a partir dela, aprofundamos o estudo com pesquisa bibliográfica, trabalho de campo e produção de mapas”, explica.

De acordo com a diretora, o impacto do SUASGeo vai além da assistência social. Os dados produzidos poderão subsidiar políticas públicas em áreas como Saúde, Habitação, Educação, Planejamento Urbano e entre outros. 

O projeto também se destaca pela parceria com instituições de ensino. Integram a equipe do SUASGeo os estagiários Robson Ferreira de Souza, Nadyne Nikole Westephalen Matos, Marcos Elielton Simões e André Markian Ferreira Baruck, do curso de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), além de Marcel Chukewiski Jamil, estudante de Agronomia do Instituto Federal do Paraná (IFPR). Os estagiários são contratados pela Prefeitura e atuam diretamente na coleta, organização e análise dos dados territoriais.

Para Joice, o SUASGeo representa um avanço histórico para Paranaguá. “É a primeira vez que um trabalho dessa natureza é realizado no município. A Vigilância Socioassistencial já é uma diretriz nacional, mas o que faz a diferença aqui é o olhar da atual Administração Municipal para a importância das parcerias e do uso qualificado da informação. Conhecer a realidade é o primeiro passo para garantir direitos e construir políticas públicas efetivas”, conclui.

> Encontre-nos no Facebook