Prefeitura de Paranaguá inicia projeto de educação ambiental para combater descarte irregular de resíduos

Trabalho começa pela Vila Guarani e une limpeza, orientação à população e fiscalização para enfrentar pontos críticos de acúmulo de lixo.

A Prefeitura de Paranaguá iniciou um projeto de educação ambiental voltado ao enfrentamento do descarte irregular de resíduos sólidos no município. A ação, coordenada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Rural e Pesca (Semmadesp), começou pela Vila Guarani e combina limpeza urbana, orientação direta aos moradores, divulgação de cronogramas de coleta e, em último caso, fiscalização.

A iniciativa surge diante de um problema recorrente identificado pela equipe técnica: mesmo após a limpeza de determinados trechos, o lixo volta a se acumular poucos dias depois. Segundo a secretaria, a causa principal está na falta de informação sobre os dias corretos de descarte e sobre os impactos ambientais e sanitários do lixo jogado de forma irregular.

Educação ambiental como eixo central do trabalho

De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Rural e Pesca, Márcio Vega, o projeto parte do princípio de que a população precisa ser envolvida como agente central da mudança. “Hoje há um serviço de coleta, mas alguns dias depois o lixo já está novamente na rua. A informação, a educação ambiental colocada logo após a limpeza, vai gerar conscientização. O descarte irregular deixa a cidade feia, suja, e não é isso que queremos para Paranaguá”, afirmou.

Segundo o secretário, a proposta é alinhar informação e ação prática. “Estamos dizendo ao morador qual é o momento correto de colocar o resíduo para fora, quando o caminhão vai passar. Quando a população entende que é protagonista desse processo, não tem como dar errado. Paranaguá é uma cidade bonita e precisa ser cada vez mais cuidada”, destacou.

O projeto teve início pela Vila Guarani, mas, conforme a secretaria, a intenção é expandir a ação para outros bairros que apresentam pontos críticos de acúmulo de resíduos. “Paranaguá é extensa, tem muitos bairros, e precisamos tornar esse trabalho cada vez mais assertivo. Para isso, temos equipes atuando de dia e à noite, inclusive com a coleta noturna de volumosos, que é uma novidade desta gestão”, completou Vega.

Mapeamento de pontos críticos e etapas da ação

O superintendente de Meio Ambiente, Elcio Nagel, explicou que a Vila Guarani foi escolhida a partir de um levantamento técnico. “Identificamos, em um trecho de cerca de sete a oito quadras, 19 pontos de acúmulo de resíduos. São locais onde as pessoas descartam poda, móveis e todo tipo de material de forma irregular”, relatou.

A partir desse diagnóstico, a secretaria estruturou a ação em etapas. “Primeiro fazemos a limpeza e a coleta dos resíduos. Depois entra a equipe de educação ambiental, orientando sobre o cronograma e a forma correta de descarte. Num terceiro momento, vem a fiscalização, para verificar se o cronograma está sendo respeitado”, explicou.

Nagel ressaltou que o município possui legislação específica que prevê multa para o descarte irregular de resíduos, caracterizado como crime ambiental. No entanto, segundo ele, a prioridade não é a penalização. “Não temos nenhum objetivo arrecadatório. A multa é o último recurso. Nosso foco é conscientizar”, afirmou.

O superintendente também alertou para os riscos à saúde pública. “O lixo acumulado favorece a presença de ratos, baratas, cobras e do mosquito da dengue. Já tivemos relatos de cobra em meio aos resíduos. Isso traz prejuízo direto para a própria população”, disse.

Além disso, ele lembrou que a Semmadesp dispõe de estrutura para receber determinados tipos de resíduos na sede da secretaria, no Aeroparque, em horários regulares. “Existe alternativa. Jogar lixo na frente de casa não pode ser visto como solução”, pontuou.

Orientação porta a porta e parceria com a Saúde

A coordenadora e palestrante ambiental da Semmadesp, Jucemara Gaska, destacou que o trabalho de educação ambiental já é realizado há anos no município, mas agora passa por uma intensificação. “Estamos reforçando a importância de seguir os cronogramas, especialmente o da coleta de volumosos. Não adianta apenas colocar o lixo para fora sem saber como o sistema funciona”, explicou.

Segundo ela, a receptividade dos moradores tem sido, em geral, positiva. “A maioria entende a importância do descarte correto e das consequências do descarte irregular. Claro que ainda há resistência de alguns, mas a gente chega com diálogo, com informação, e as coisas vão se ajustando”, relatou.

Jucemara também destacou a parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, por meio das equipes de endemias. “Onde não há lixo, não há dengue. Essa integração é fundamental para proteger a saúde da população e melhorar a qualidade de vida nos bairros”, afirmou.

Moradores aprovam a iniciativa

Moradora da Vila Guarani há quase cinco décadas, Neide do Rosário Ferreira, de 83 anos, avaliou de forma positiva a presença das equipes no bairro. “Para nós é muito bom. Aqui na nossa rua a gente cuida, só coloca o lixo para fora na hora certa, para não fazer sujeira. Mas em outras ruas ainda tem gente que joga lixo de qualquer jeito”, comentou.

Ela considera fundamental que as equipes passem de casa em casa conversando com os moradores. “É importante, sim. Tem que dar valor para quem vem orientar. Se você não cuida do lugar onde mora, como vai viver bem? É igual a casa da gente: se não limpar, vira sujeira”, disse.

Para dona Neide, a transformação do bairro ao longo dos anos mostra que o cuidado coletivo faz diferença. “Aqui já foi muito feio, muita lama, muita sujeira. Hoje é bom de morar. Agora que está limpo, temos que cuidar para continuar assim”, concluiu.

Expansão do projeto

Segundo a Semmadesp, a experiência na Vila Guarani servirá como base para a ampliação do projeto em outras regiões de Paranaguá. A expectativa da gestão é que a combinação entre limpeza, informação, cronogramas bem definidos e participação da população resulte, de forma gradual, em uma cidade mais limpa, organizada e saudável - tanto para quem mora quanto para quem visita o município.

Atendimento organizado por semanas

O serviço de coleta de volumosos segue um cronograma semanal, com atendimento alternado entre bairros nas rotas diurnas e noturnas.

1ª semana

Coleta diurna: Jardim Paranaguá, Porto Seguro, Jardim Jacarandá, Ouro Fino e Jardim Paranaguá

Coleta diurna: Jardim Yamaguchi, Divinéia, Labra e Parque São João

Coleta noturna: Centro, Costeira, Oceania e João Gualberto

Coleta diurna: Vila São Jorge, Vila São Carlos, Vila do Povo, Vila Primavera e Emboguaçu

2ª semana

Coleta diurna: Cominese, Vila dos Comerciários, Nilson Neves e CAIC

Coleta diurna: Jardim América, Jardim Guaratuba, Asa Branca e Santos Dumont

Coleta noturna: Tuiuti, Campo Grande, Palmital e Centro

Coleta diurna: Jardim Iguaçu, Vila Marinho e Santa Helena

3ª semana

Coleta diurna: Parque Agari e Alexandra

Coleta diurna: São Vicente, Estradinha e Ponta do Caju

Coleta noturna: Raia, Leblon, Bockmann e Centro

Coleta diurna: Padre Jackson, Beira Rio, Vila Guarani e Vila Portuária

4ª semana

Coleta diurna: Jardim Esperança, Vale do Sol e Vila Garcia

Coleta diurna: Vila Horizonte, Jardim Eldorado, Correia Velho, Casa da Família e Jardim Samambaia

Coleta noturna: Vila Alboit, Rocio, Vila Rute, Vila Paranaguá, Santa Rosa e Serraria do Rocha

Coleta diurna: Vila Cruzeiro, Porto dos Padres e Jardim Araçá

Outras informações importantes

Centro e Ilha dos Valadares: coleta de segunda a sexta-feira

Associação Santa Maria: coleta aos sábados

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