Unidade de Apoio Rodrigo Gomes homenageia mulheres que marcaram a história da saúde na Ilha dos Valadares

Inaugurada nesta segunda-feira, dia 2, a nova unidade de saúde homenageia Eliane Bonvakiades, Mara Gonçalves e Maria Aparecida de Oliveira, a Mariazinha da Saúde - três mulheres cuja dedicação marcou gerações de moradores da ilha.

A inauguração da Unidade de Apoio Rodrigo Gomes, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá, nesta segunda-feira, dia 2, foi marcada pela ampliação da estrutura de saúde ofertada à população e, também, por um gesto de reconhecimento histórico. Durante a solenidade, a Prefeitura de Paranaguá homenageou três mulheres que dedicaram suas vidas ao serviço público e ao cuidado com a saúde da comunidade, eternizando seus nomes em espaços fundamentais da nova unidade.

Com atendimento 24 horas para urgência e emergência, farmácia em funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e uma Base Descentralizada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a Unidade de Apoio representa um avanço concreto para os mais de 30 mil moradores da Ilha dos Valadares. Ao mesmo tempo, reafirma que a saúde pública também se constrói com memória, respeito e valorização de quem fez a diferença ao longo da história.

O prefeito Adriano Ramos destacou que a homenagem simboliza o compromisso da gestão com uma saúde que reconhece seus próprios pilares. “Essa unidade nasce para salvar vidas hoje e no futuro, mas carrega a história de quem fez a saúde pública acontecer quando as condições eram muito mais difíceis. Essas mulheres representam o melhor do serviço público: dedicação, humanidade e compromisso com as pessoas”, afirmou.

A vice-prefeita Fabiana Parro ressaltou que as homenageadas são referências que ultrapassam gerações. “Elas não foram apenas servidoras. Foram presença constante na vida das famílias da ilha. Dar seus nomes a esses espaços é um ato de justiça e de respeito à história da Ilha dos Valadares”, declarou.

Eliane Bonvakiades: a enfermeira que vacinou gerações

A Base Descentralizada do SAMU recebeu o nome de Eliane Bonvakiades, conhecida carinhosamente como “Tia Eliane”, profissional cuja trajetória se confunde com a história da vacinação infantil na Ilha dos Valadares. Nascida em 13 de dezembro de 1950, na localidade de Rio das Pedras, em Alexandra, ela iniciou sua vida profissional como copeira na Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá.

Com esforço e vocação, formou-se em 1976 como Atendente de Enfermagem e passou a exercer a profissão com excelência e profundo senso de responsabilidade social. Anos depois, foi para a Ilha dos Valadares, onde atuou no Posto de Saúde Emir Roth e no Posto de Saúde Rodrigo Gomes, tornando-se referência para toda a comunidade.

Tia Eliane foi durante anos a única profissional autorizada a aplicar vacinas em crianças na ilha. Exercia essa função com extremo zelo, entendendo que cada dose aplicada representava proteção, futuro e cuidado coletivo.

Segundo a filha, Elizandra Rocio Jesus, esse sempre foi um motivo de orgulho para a família. “Ela dizia que deixaria uma geração inteira vacinada aqui na ilha. Saber que hoje o nome dela permanece dentro de uma unidade de saúde é uma forma de manter viva essa missão”, afirmou.

Tia Eliane faleceu em 16 de setembro de 1999, aos 48 anos, vítima de um infarto fulminante enquanto trabalhava no Posto de Saúde da Vila Bela. Seu legado permanece vivo na memória da comunidade e agora também na estrutura que continuará salvando vidas.

Mara Gonçalves: compromisso silencioso que sustentou a saúde pública

A Sala da Vacina da Unidade de Apoio passou a levar o nome de Mara Gonçalves, profissional lembrada pela competência técnica, pelo compromisso com o serviço público e pela forma humana de atender cada paciente.

Nascida em 1968, em Paranaguá, Mara iniciou sua trajetória profissional ainda na antiga Santa Casa de Misericórdia, quando o hospital possuía estruturas simples, com assoalho de madeira. Ao longo dos anos, acompanhou as transformações da saúde pública e dedicou toda a sua vida profissional à Prefeitura de Paranaguá, atuando por décadas na área da saúde.

Segundo o esposo, Joel Rufino da Silva, Mara era reconhecida não apenas pelo conhecimento técnico, mas pela entrega total ao trabalho. “Ela entendia muito do serviço, fazia relatórios, atendia as pessoas com carinho. Todo mundo conhecia ela e gostava dela. Nunca fez nada pela metade”, relembrou.

Mesmo com uma rotina intensa, Mara investiu na própria formação e concluiu a faculdade de Enfermagem. Foi aprovada em todas as etapas e estava pronta para iniciar uma nova fase profissional. No entanto, faleceu em 2024, aos 56 anos, antes mesmo de completar um mês de atuação como enfermeira formada.

Na vida pessoal, foi esposa e mãe dedicada de dois filhos. Durante um período delicado, quando Joel enfrentou amputações e longos períodos de internação, foi Mara quem esteve ao seu lado, cuidando dele com a mesma dedicação que demonstrava no trabalho. Sua história representa o esforço silencioso de tantas servidoras que sustentam o funcionamento da saúde pública todos os dias.

Mariazinha da Saúde: cuidado que ultrapassava os muros do posto

A Sala de Observação da Unidade de Apoio recebeu o nome de Maria Aparecida de Oliveira, conhecida carinhosamente como Mariazinha da Saúde ou Mariazinha dos Valadares, figura histórica da saúde pública em Paranaguá.

Nascida em 1955, no município de Arapongas, Maria chegou a Paranaguá por volta dos 26 anos e aqui construiu sua vida, formou sua família e dedicou décadas ao serviço público municipal. Atuou no então Centro Municipal de Especialidades, auxiliando médicos ginecologistas, e posteriormente coordenou postos de saúde em regiões como Ilha dos Valadares e a antiga Baduca, hoje Unidade de Pronto Atendimento (UPA) João Pereira.

Pequena em estatura, Maria era reconhecida por ter um cuidado que ultrapassava as obrigações do cargo. Acolhia pacientes que vinham de longe, oferecia ajuda fora do expediente e, muitas vezes, levava pessoas para sua própria casa. Percorria longas distâncias a pé, atravessava áreas isoladas e nunca recuou diante das dificuldades.

Organizada e comprometida, mantinha registros detalhados de campanhas, palestras e ações de planejamento familiar, guardando fotos e anotações como prova do zelo e do orgulho que tinha pelo trabalho realizado.

Para a filha, Karen Cristina de Oliveira Araújo, a homenagem representa reconhecimento. “Ela sempre dizia que o trabalho dela parecia pequeno para muitos, mas para ela não era. Saber que hoje existe toda essa estrutura para atender a população que ela tanto cuidou é motivo de orgulho”, afirmou.

Maria faleceu em 20 de novembro de 2002, aos 47 anos, enquanto ainda estava em plena atividade. Mesmo não se sentindo bem naquele dia, cumpriu sua jornada de trabalho, preocupada em não deixar de atender quem precisava.

Memória que fortalece o presente

Ao eternizar os nomes de Eliane Bonvakiades, Mara Gonçalves e Mariazinha da Saúde na Unidade de Apoio Rodrigo Gomes, a Prefeitura de Paranaguá reafirma que investir em saúde é também valorizar pessoas, histórias e legados que ajudaram a construir um atendimento mais humano e próximo da população da Ilha dos Valadares.

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