Prefeitura de Paranaguá reforça política de acolhimento e autonomia para mulheres no CRAS Vila Garcia

Retomada das atividades em 2026 reafirma o papel das políticas públicas voltadas às mulheres como eixo estratégico da assistência social em Paranaguá. 

A Prefeitura de Paranaguá mantém uma política pública voltada às mulheres, desenvolvida a partir da rede municipal de assistência social e da atuação nos territórios. Dentro desse contexto, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da Vila Garcia retomou, nesta quinta-feira, dia 5, as atividades do grupo de mulheres do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) em 2026. A iniciativa dá continuidade às ações voltadas às mulheres no município, com foco no acolhimento, na escuta qualificada e no fortalecimento da autonomia feminina.

O primeiro encontro do ano reuniu mulheres atendidas pelo serviço, a equipe técnica do CRAS e representantes da gestão municipal. Participaram da atividade a vice-prefeita Fabiana Parro, a primeira-dama Patrícia Bamvakiades Ramos e a secretária municipal da Mulher, Desenvolvimento Social e Igualdade Racial, Carolina Lourenço.

Equipamento estratégico para o território

O CRAS da Vila Garcia é um dos principais equipamentos de assistência social do município. Com abrangência em 18 bairros - entre o Jardim Cometa e o Jardim Esperança -, o espaço realiza cerca de 1.600 atendimentos por mês, oferecendo acolhimento, orientação, acompanhamento familiar e atividades coletivas voltadas à promoção da cidadania e ao fortalecimento dos vínculos comunitários.

Dentro dessa estrutura, o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) voltado às mulheres cumpre um papel estratégico: criar espaços seguros de convivência, troca de experiências e construção de autonomia, especialmente para mulheres em situação de vulnerabilidade social.

CRAS como rede de apoio para as mulheres

Durante o encontro, a vice-prefeita Fabiana Parro destacou a importância do CRAS como um ponto de apoio permanente para mulheres que, ao longo da vida, acabam se colocando em segundo plano diante das responsabilidades familiares. “Hoje é um momento de acolhimento, de receber essas mulheres para que elas tenham o CRAS como um ponto de apoio, uma rede de apoio. Muitas vezes a mulher se dedica tanto à casa e à família que acaba ficando em segundo ou terceiro plano. Aqui é um espaço para elas, onde podem falar dos seus sonhos, das suas dificuldades e saber que existe uma equipe preparada para caminhar junto”, afirmou.

Segundo a vice-prefeita, a proposta é que o CRAS seja um ambiente onde as mulheres se sintam seguras para compartilhar suas vivências e construir, coletivamente, caminhos para superar desafios individuais e comunitários.

Fortalecer vínculos para promover autonomia

A secretária Carolina Lourenço explicou que o primeiro encontro do ano tem como objetivo apresentar o funcionamento do CRAS e do SCFV, além de alinhar expectativas e construir o cronograma de atividades que será desenvolvido ao longo de 2026. “Nesse primeiro encontro é feita a acolhida do grupo de mulheres que compõe o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos. Apresentamos o que é o CRAS, quais serviços são ofertados, a abrangência territorial e o objetivo do serviço. Esse momento inicial é fundamental para fortalecer os vínculos e iniciar a construção coletiva das atividades”, explicou.

Carolina ressaltou que o SCFV é um dos principais eixos da política de assistência social, justamente por atuar na prevenção de riscos e no enfrentamento das vulnerabilidades. “Esse serviço é muito importante porque proporciona o fortalecimento dos vínculos entre as mulheres, desenvolvendo autonomia e habilidades para que elas possam superar situações de vulnerabilidade social e de risco. Aqui elas compartilham suas histórias e, juntas, constroem possibilidades reais de romper ciclos de vulnerabilidade, sempre com o apoio da equipe técnica”, destacou.

Espaço de encontro, escuta e reconstrução

A primeira-dama Patrícia Bamvakiades Ramos, que é estudante de Psicologia e ex-estagiária do CRAS da Vila Garcia, falou sobre a importância desses espaços como ambientes de cuidado emocional, pertencimento e reconstrução da autoestima feminina. “O CRAS é um lugar de encontro e de reencontro consigo mesma. Aqui as mulheres trabalham o emocional, constroem amizades e percebem que não estão sozinhas. Muitas redescobrem vontades que haviam deixado para trás, como voltar a estudar, fazer um curso ou buscar uma nova profissão”, afirmou.

Patrícia também destacou o caráter acolhedor do equipamento. “É um espaço onde qualquer pessoa que entra é bem recebida, bem atendida e respeitada. Isso faz toda a diferença na vida de quem busca apoio”, completou.

Atendimento contínuo e ações práticas

A educadora social Eloísa Cordeiro Gonçalves de Souza explicou que atualmente cerca de 30 mulheres participam dos grupos de convivência, organizados por faixa etária, mas com um propósito comum: fortalecer a autonomia no meio social. “O grupo ‘Elas por Elas’ atende mulheres de 20 a 40 anos, e o grupo ‘Mulheres de Ouro’ é voltado para mulheres de 40 a 59 anos. Acima disso, temos o grupo da ‘Melhor Idade’. São grupos diferentes, mas com o mesmo objetivo: fortalecer vínculos, trabalhar autoestima e autonomia”, explicou.

Os encontros de cada grupo acontecem de forma quinzenal e incluem rodas de conversa, dinâmicas, palestras, atividades de artesanato e pintura, além de encaminhamentos para cursos profissionalizantes em parceria com instituições como o Senac. O CRAS também realiza o Cadastro Único, que permite o acesso a benefícios sociais como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC), tarifas sociais de água e energia, além de outros direitos.

“Cada mulher tem uma história diferente, muitas vezes marcada por dor, traumas e dificuldades. O trabalho é individualizado, mas sempre pensado para fortalecer o coletivo e criar uma rede de apoio entre elas”, destacou Eloísa.

‘Aqui a gente chega triste e sai mais forte’

Para quem participa do grupo, os encontros representam apoio concreto e transformação real. Frequentadora do CRAS há quase cinco anos, Celia da Silva relata a importância do serviço em sua vida.

“Isso aqui faz toda a diferença. Nunca me arrependi de participar. A gente chega triste e sai melhor. Sempre fomos bem atendidas, nunca disseram não pra gente. Aqui é muito bom”, afirmou.

Claudiane Damasio Rodrigues, que participa das atividades junto com a filha, também destacou o impacto do serviço. “Aqui a gente aprende, conversa, recebe orientação. Isso faz toda a diferença, muda um pouco a nossa história”, disse.

Já Alessandra Francieli da Silva Souza ressaltou o papel do grupo no enfrentamento da depressão e do sofrimento emocional. “É um lugar que a gente chega triste e sai alegre. Muitas pessoas que estavam em depressão conseguiram se fortalecer aqui. Faz toda a diferença na nossa vida”, relatou.

A retomada do grupo de mulheres do CRAS da Vila Garcia reafirma o papel da política pública de assistência social como ferramenta essencial de cuidado, escuta e fortalecimento feminino, consolidando o compromisso da gestão municipal com as mulheres e com o desenvolvimento social do território.

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