Paranaguá inova na saúde pública com oferta de implante contraceptivo subdérmico

A cidade é a primeira do litoral a disponibilizar o Implanon; foco inicial será em mulheres em situação de vulnerabilidade

A Prefeitura de Paranaguá deu um passo importante na ampliação das políticas públicas de saúde ao iniciar a oferta do implante contraceptivo subdérmico (Implanon) na rede municipal. A iniciativa torna o município o primeiro do litoral do Paraná a disponibilizar o método pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com foco inicial em mulheres em situação de vulnerabilidade social.

O Implanon é um método anticoncepcional de longa duração, composto por um pequeno bastão inserido sob a pele do braço, responsável por liberar hormônios de forma contínua por até três anos. A técnica dispensa o uso diário de medicamentos e é considerada uma alternativa eficaz no planejamento familiar.

A aplicação é simples e rápida, realizada com anestesia local e sem necessidade de cortes ou suturas. De acordo com a equipe de saúde, o procedimento dura cerca de cinco minutos e causa apenas o desconforto inicial da anestesia. Antes da inserção, é realizado teste de gravidez e avaliação clínica da paciente.

Segundo o Dr. Carlos Alberto do Amaral, a colocação é simples. “É um procedimento praticamente indolor. A paciente sente apenas a picada da anestesia. Depois, não há dor, apenas a sensação do movimento durante a aplicação.”

Após o procedimento, os cuidados são mínimos. A paciente deixa a unidade com um curativo, que deve ser retirado em até 24 horas. Não há necessidade de uso de antibióticos ou anti-inflamatórios, e a cicatriz é quase imperceptível, enfatizou o Dr. Carlos.

A primeira paciente a receber o implante, Maria Eloisa Martins Ferreira, de 20 anos, relatou uma experiência positiva. Mãe de um bebê de nove meses, ela buscava um método seguro e prático. “Foi rápido, não senti dor nem na anestesia nem na aplicação. Para mim, foi ótimo. Escolhi porque é o mais eficaz”, afirmou.

Critérios e priorização

Neste primeiro momento, a Secretaria Municipal de Saúde estabeleceu critérios para priorizar o atendimento, voltados principalmente a mulheres em situação de vulnerabilidade, como aquelas em situação de rua, com múltiplas gestações ou com condições de saúde que exigem acompanhamento especial.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Daniel Fangueiro, a estratégia busca reduzir os índices de gravidez não planejada e oferecer mais segurança às pacientes. “É uma política inovadora que amplia o acesso ao planejamento familiar, especialmente para quem mais precisa. Estamos organizando o fluxo a partir das Unidades Básicas de Saúde e, posteriormente, por meio da regulação, para atender também a demanda geral”, destacou o secretário.

O acesso ao implante é feito por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS). As interessadas devem procurar a unidade de referência, onde passam por avaliação médica, com análise do histórico clínico e verificação dos critérios estabelecidos em protocolo baseado nas diretrizes do Ministério da Saúde.

Todos os médicos e enfermeiros da rede municipal foram capacitados para orientar e realizar o procedimento.

“Não é apenas uma escolha da paciente; é preciso avaliar a indicação clínica. A decisão é feita em conjunto, considerando o estilo de vida e o planejamento reprodutivo da mulher”, explicou a médica Olivia Vilarinho.

Além da introdução do Implanon, a rede municipal segue oferecendo uma ampla variedade de métodos contraceptivos, como pílulas anticoncepcionais, injeções mensais e trimestrais, DIU, preservativos masculinos e femininos, além da laqueadura.

A orientação da Secretaria de Saúde é que as mulheres procurem as equipes multidisciplinares das UBS para receber informações completas e escolher, de forma consciente, o método mais adequado.

A iniciativa reforça o compromisso do município com a saúde da mulher, ampliando o acesso à informação, ao cuidado e ao planejamento familiar.

> Encontre-nos no Facebook