Fórum Nacional Porto + Cidade debate desafios do urbanismo e planejamento territorial em Paranaguá

Evento reuniu acadêmicos, estudantes, professores, autoridades e representantes da sociedade para discutir como conciliar o crescimento das atividades portuárias com o desenvolvimento urbano, a organização territorial e a qualidade de vida da população.


Acadêmicos de diferentes cursos do Instituto Superior do Litoral do Paraná (ISULPAR), estudantes do curso de Gestão Portuária do Colégio Estadual Alberto Gomes Veiga, professores, coordenadores, autoridades e convidados participaram, nesta quarta-feira, dia 26, de mais um dia da programação do 1.º Fórum Nacional Porto + Cidade, realizado no auditório do ISULPAR, em Paranaguá.

Um dos principais momentos da programação foi a palestra da secretária municipal de Urbanismo e Planejamento Territorial, Vânia Pessoa Rodrigues Foes, que apresentou o tema “Desafios do Urbanismo e Planejamento Territorial”.

A palestra abordou a complexa relação entre o desenvolvimento portuário e a expansão urbana de Paranaguá, destacando questões como mobilidade, habitação, atividades retroportuárias, trânsito de caminhões, poluição e ocupação territorial.

Segundo a secretária, é necessário ampliar a visão sobre a cidade e compreender que os desafios de Paranaguá ultrapassam os limites dos bairros.

“Eu sempre procuro mostrar para as pessoas a Paranaguá inteira, a Paranaguá que elas não veem. A gente tem ideia do nosso bairro, dos conflitos que temos ali em volta, mas os conflitos são muito maiores. Caminhão, rotas, poluição, barulho, poluição sonora e visual. Nós temos problemas de saúde enormes na cidade e, às vezes, não temos noção do que está causando isso”, afirma.

A secretária também destacou que o crescimento do porto é importante para a economia local, mas precisa estar acompanhado de planejamento urbano e geração de oportunidades para a população.

“A gente quer que o Porto cresça, que tenha mais desenvolvimento e mais empregos para os nossos jovens. Mas, para que eles fiquem na cidade, precisamos ter espaço para mais empresas se instalarem e também diversificar”, explica.

Para Vania, Paranaguá não pode ficar restrita à ideia de uma economia concentrada apenas em grãos e fertilizantes. Ela defendeu a diversificação das atividades econômicas e a criação de áreas destinadas à habitação e a novos empreendimentos.

“A gente pensa muito em Porto, só que o Porto leva para fora e traz matéria-prima para remédio, por exemplo. Podemos diversificar. E aí a qualificação também é diferente. Não estamos focados somente em um tipo de trabalho. Precisamos criar essas áreas e criar áreas para habitação. Isso é o mais importante.”

Porto e cidade precisam caminhar juntos

Durante a palestra, a secretária ressaltou que o porto faz parte da estrutura urbana de Paranaguá e que o desenvolvimento das atividades portuárias precisa considerar os demais componentes da cidade.

“A cidade existe e o porto está dentro dela, e não ao contrário. Nossa cidade tem Porto, patrimônio histórico, área rural, rios, enfim. O porto é um equipamento muito forte, muito poderoso e importante dentro da nossa cidade, e que causa uma série de conflitos, mas também traz benefícios imensos.”

Vania classificou como um grande desafio para o poder público acompanhar o ritmo do desenvolvimento econômico.

“O poder econômico e o desenvolvimento vêm com muita força, e a cidade muitas vezes não consegue acompanhar esse desenvolvimento.”

A secretária explicou ainda que o município precisa avançar na organização territorial e na solução de conflitos envolvendo áreas residenciais, atividades econômicas e operações retroportuárias.

“A gente precisa resolver alguns conflitos entre moradias, entre atividades diferentes e entre atividades retroportuárias. Precisamos entender como a nossa cidade se comporta no todo e, especificamente, nessa relação do Porto com a cidade”, afirma.

Tecnologia como aliada

Outro ponto defendido durante a palestra foi o uso da tecnologia como ferramenta para melhorar a convivência entre as atividades portuárias e a população.

Para Vania, existem soluções que podem contribuir para reduzir problemas relacionados ao trânsito, transporte, mobilidade e logística.

“Porto e cidade podem conviver de forma harmoniosa? Sempre pode. A gente tem hoje tecnologia à nossa disposição para resolver uma série de conflitos. Então, podemos, sim, achar um equilíbrio, mas temos que correr atrás.”

Entre as alternativas citadas estão estudos de tráfego, novas tecnologias para construção de habitações, materiais de construção, sistemas de controle e comunicação com caminhoneiros e ferramentas que contribuam para organizar o fluxo de veículos destinados às áreas portuárias.

“Eu não vejo hoje nada mais importante do que a tecnologia a nosso favor. Tecnologia para estudos de tráfego, para construção de baixa renda rápida, materiais de construção diferenciados e tecnologia para os caminhões e para os caminhoneiros.”

Planejamento e participação da sociedade

Entre as medidas apontadas estão o aperfeiçoamento do Plano Diretor e do zoneamento, a criação de novas áreas para habitação e atividades econômicas, o incentivo a parcerias público-privadas, a busca por soluções para os alagamentos e melhorias na mobilidade urbana.

Vania também ressaltou a importância da participação da população nas discussões sobre o futuro da cidade.

 “Eu me coloco à disposição da prefeitura e de todas as nossas secretarias. Se vocês tiverem sugestões, se quiserem discutir ou reclamar de alguma coisa, é importante que compareçam, estejam lá. Serão todos muito bem recebidos para ajudar nessa resolução desses conflitos.”

O 1º Fórum Nacional Porto + Cidade busca ampliar o debate sobre os impactos e as oportunidades geradas pela relação entre o Porto e Paranaguá, reunindo diferentes setores da sociedade para discutir caminhos para um desenvolvimento econômico aliado ao planejamento urbano, à sustentabilidade e à qualidade de vida.

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