Família é parte do tratamento e pode ajudar a perceber sinais de sofrimento emocional

Palestra promovida pela Prefeitura de Paranaguá reuniu professores, pais e profissionais para discutir saúde mental, mudanças de comportamento e a importância da participação familiar


Nem sempre os sinais de que alguém precisa de ajuda aparecem de forma evidente. Uma mudança de comportamento, a perda de interesse por atividades antes prazerosas ou o afastamento do convívio social podem ser indícios percebidos primeiro por quem está mais próximo. Foi a partir dessa perspectiva que a Prefeitura de Paranaguá promoveu, na sexta-feira (18), a palestra “Além da Medicação – A família como parte do tratamento”, no auditório da Secretaria Municipal de Educação e Ensino Integral (Semedi).

A atividade, realizada pela Secretaria Municipal de Inclusão (Semi), reuniu professores, pais e profissionais das áreas de saúde e inclusão. A proposta foi ampliar a compreensão sobre o papel da família no acompanhamento de pessoas em tratamento e mostrar que a atenção à saúde mental envolve mais do que o uso de medicamentos.

A Secretaria Municipal de Inclusão integra a estrutura municipal responsável pelo desenvolvimento de ações, programas e projetos voltados à inclusão e à participação das pessoas com deficiência e de outros públicos que necessitam de atenção específica.

Durante a palestra, a médica psiquiatra Suelen Bonfim de Souza Maia explicou que alterações no comportamento cotidiano podem estar entre os primeiros sinais percebidos pela família. Segundo ela, perder o interesse por atividades que antes despertavam prazer, deixar de sair, reduzir a interação social ou apresentar mudanças nos hábitos são situações que merecem atenção.

“Normalmente, a gente começa a observar nos pequenos detalhes: coisas que gostavam de fazer e que hoje não gostam mais; um isolamento social, às vezes, de algumas pessoas que gostavam de sair e, de repente, perdem o interesse por algumas atividades.”

Para a especialista, quando a pessoa enfrenta um período de maior fragilidade, a família também tem um papel importante. Ela destacou a necessidade de oferecer suporte, compreensão e atenção, evitando minimizar o sofrimento ou tratar a situação como algo sem importância.

O acompanhamento profissional, segundo Suelen, pode envolver diferentes áreas e deve considerar também aspectos relacionados à rotina, à alimentação, à atividade física e a outras condições que interferem no bem-estar.

Outro ponto abordado foi a relação entre crianças, adolescentes e o uso excessivo de telas. A médica chamou a atenção para a redução das oportunidades de convivência e para a necessidade de que pais e responsáveis acompanhem mais de perto a rotina dos filhos, estabelecendo limites e ajudando-os a desenvolver recursos para lidar com as frustrações próprias da vida cotidiana.

O secretário municipal de Inclusão, Halleson Ricardo Stieglitz, ressaltou que o trabalho da pasta alcança diferentes públicos e situações. Segundo ele, a inclusão envolve pessoas neurodivergentes, entre elas autistas, pessoas com TDAH e outros transtornos, além de crianças e adolescentes com paralisia cerebral, pessoas cegas, a comunidade surda e outras parcelas da população que necessitam de políticas específicas.

“A diversidade da necessidade de ampliar os assuntos relacionados à inclusão tem a ver com a dignidade, o respeito e a empatia, que são muito necessários.”

Halleson também observou que questões relacionadas à saúde mental fazem parte desse olhar mais amplo. Para ele, uma pessoa pode estar enfrentando dificuldades que não são percebidas imediatamente por quem está ao redor, especialmente em uma rotina marcada por excesso de tarefas, incertezas e mudanças nas relações sociais.

A realização da palestra reforça uma linha de atuação da Prefeitura de Paranaguá que busca aproximar informação e orientação da comunidade. Nos últimos meses, a Secretaria Municipal de Inclusão também promoveu ações de formação, acessibilidade e orientação à população, incluindo cursos de Libras e atividades voltadas às pessoas com deficiência e seus familiares.

O secretário municipal de Educação, Thiago Casas do Nascimento, destacou a importância do trabalho integrado entre as secretarias para ampliar a atenção ao tema.

“Estamos unificando esforços para um assunto muito importante. Esse tema vem aumentando no nosso município e no Brasil todo. É sempre bom buscar conhecimento e compartilhar essas informações com os familiares e com os professores. Isso vai fortalecer o dia a dia com a criança, ajudar a entender o que ela realmente está passando e pensando e contribuir para o desenvolvimento e o aprendizado dos alunos.”

Mais do que falar sobre tratamento, a palestra colocou a família no centro de uma conversa necessária: perceber, escutar e buscar ajuda podem ser passos importantes diante de uma mudança que nem sempre é visível

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